Morning Pages: mais criatividade e leveza


Deixa eu te contar sobre essa maravilhosidade que comecei a experimentar mês passado.
A primeira vez que vi essas tal de Morning Pages foi em um post da Maki. E fiquei bastante interessada, mas não tive aquele impulso de tentar sabe?
Pesquisei bastante e vi várias pessoas falando do quanto maravilhoso era esse método pra estimular a criatividade criado pela Julia Cameron.
Eu não vou negar que não coloquei fé que algo tão simples fosse capaz de fazer grandes mudanças. Sim, eu mesma, uma pessoa que ama escrever não acreditei no poder da escrita.
Eu sempre tive diários, agendas, mas era algo mais elaborado pra registrar as sofrências e as felicidades da vida.
Essa proposta nova de escrita livre despertou a minha curiosidade e resolvi pagar pra ver. Comprei um caderno e lá fui eu começar a nova técnica mirabolante.

Mas o que é essa tal de Morning Pages???

Traduzindo fica algo como "páginas matinais".
Pelo que eu entendi, de um modo bem resumido e direto: você acorda e senta em frente ao seu caderno (pode digitar também, ok?) e escreve 3 páginas todos os dias. Isso mesmo, não vale trapacear, tem que ser todo dia.
Não tem muita regra, o importante é soltar ali no papel, ou na tela caso você prefira o teclado, tudo que vier na sua cabeça, sem medir, sem se preocupar com concordância, acento, parágrafo, letrinha bonita. Só vai!
No começo é normal ficar meio "tá o que eu escrevo?". Escreva isso já pra começar! Afinal você pensou nisso, certo?
Comentei com uma amiga dia desses que eu sabia que pensava muita coisa, mas como é supreendente o que vai vindo enquanto estamos ali dispostos a escrever. E é libertador. Um peso que some das nossas costas assim que fechamos o caderno e vamos encarar um novo dia.

E isso é bom mesmo?

Acho que já deu pra perceber que tô bem encantada. Pra mim está sendo ótimo!
Desde o primeiro dia eu já senti uma diferença gigantesca na minha mente, ela simplesmente estava vazia em várias partes do dia.
Ué, mas isso não é pra estimular a criatividade e você tá feliz porque a mente estava vazia???
Espera que eu explico!
Minha mente é muito ultra mega hiper power acelerada e mesmo com meditação são trocentos pensamentos que eu não dou conta de processar.
Muitas vezes a minha cabeça até dói de pensar. Pode parecer meio doido isso, mas é a verdade! Juro! haha
Organizar as coisas aqui dentro dessa caixa pensante é meio complicado com toda essa aceleração. E eu tenho conseguido ter mais leveza e paz nos meus pensamentos e ideias. Num está mais a bagunça que era antes. Tanto que os posts aqui tem sido muito mais fáceis de serem criados.
Não é só uma ferramenta pra estimular a criatividade, é uma maravilhosidade para o nosso auto conhecimento também. Descobrimos que tem muito mais coisas guardadas no nosso subconsciente do que imaginávamos.

E você aí, já conhecia as Morning Pages? Pretende começar?
Boa semana!

queimando lembranças


Hoje não está sendo um dos dias mais felizes.
Ontem assisti perplexa o incêndio que levou embora o Museu Nacional no Rio de Janeiro.
Veio um choro misturado com tristeza e revolta.
"Como isso é possível?" eu me perguntava sem parar e ainda continuo me perguntando.
Como é possível que algo tão maravilhoso, tão importante para o Brasil e o Mundo foi reduzido a cinzas desse jeito?
O que mais dói em tudo isso é ver que o Museu pedia socorro por anos e estava sendo ignorado. Então, ontem, ele não aguentou mais.
Eu não sei de dados específico, eu não faço a menor ideia da dimensão do prejuízo que temos e, na realidade, nunca farei.
O que havia ali dentro tinha centenas, milhares de anos. E agora é nada além da lembrança dos que ali estiveram.
Lembro de quando eu andava dentro do museu e admirava o acervo magnífico, lembro dos sons que o chão de madeira fazia, lembro das crianças encantadas olhando e respirando a História.
Eu não sei explicar muito bem o que eu sentia ali dentro, era como se eu estivesse em casa. Uma paz diferente, uma paz que a gente só tem quando sabe o que é um lar. Complexo, porém real dentro do meu coração.
São referências, documentos, preciosidades que se foram e eu posso ver cada um dos meus professores de História devastados nesse momento tanto ou mais do que eu.
Eu não gostava muito de ler quando estudava e meu déficit de atenção não ajudava muito nas aulas em que os professores falavam sem parar, mas, curiosamente, esse déficit parecia não existir quando as aulas eram sobre a História do mundo e do Brasil.
Os livros eram encantadores demais, coloridos, cheios de informações preciosas e os mestres que passaram por mim eram fabulosos em seus conhecimentos. Além daquelas provas "decorebas", tinha uma professora em específico, Angela, que sempre aplicava um teste que era uma redação.
E ali eu me encontrava. Eram devaneios sobre as fabulosidades históricas que eu conhecia. 
Não só ela, mas outros professores me ensinaram que devemos conhecer o passado pra não cometer os erros no presente.
Se deixamos o nosso passado queimar, ficamos sem referências e assim esquecemos das atrocidades que aconteceram e também dos nossos triunfos.
Pelas coisas que a gente ainda vê e ouve, uma História que nos ensina a evoluir e que devemos seguir cada vez mais em um caminho baseado no respeito, no amor, na paz e honrar nossos ancestrais que sofreram muito antes de nós nunca fez tanta falta como hoje em dia.
É uma tristeza que vai além da compreensão. 
É uma dor na alma.

sobre saber pedir ajuda


Muitos de nós somos treinados desde cedo que o melhor mesmo é fazer tudo sozinhos. Quanto mais individualista e quanto menos pedirmos ajuda, melhor.
Então crescemos e nos vemos sozinhos com questões que não sabemos lidar: corações partidos, a escolha de uma faculdade, uma tristeza que surge do nada e nem sabemos identificar de onde vem...
Mas eu preciso dar conta de tudo sozinho! - repetimos muitas vezes, afinal é assim que os fortes e corajosos fazem.
E eu pensei assim tantas e tantas vezes e isso me machucou tanto ao longo da minha vida.
Meu coração foi partido e não foi uma vez só, foram várias. E eu não pedia ajuda, fazia piadas na frente dos outros enquanto esperava chegar em casa pra chorar sozinha.
Na escola quando debochavam de mim, eu me lembro que machucava umas 2000x mais do que eu demonstrava. Eu nunca pedi ajuda aos meus pais, nem falava que me colocavam apelidos. E eram os meus supostos amigos que faziam isso.
Fui crescendo acreditando que eu precisava ser mais e mais forte a cada dia, mas ao mesmo tempo minha alma parecia sempre sentir demais as coisas. Eu até que aguentava um tempo a postura de durona, mas por dentro estava lá em frangalhos, torcendo pra chegar a hora em que eu pudesse chorar e colocar as dores pra fora, sozinha é claro. Afinal, a gente também aprende que chorar é para os fracos.
Eu me via sozinha com tantas perguntas, tantas dúvidas, tantas tristezas que eu nem conseguia explicar, mas quando pensava em pedir ajuda, me sentia mal. Era uma sensação de fraqueza, de que iria incomodar os outros com minhas "reclamações".
Até que um dia eu estava em um dos piores dias de que eu posso me lembrar, e minha mãe me perguntou o que estava havendo. Eu não sei que bruxaria é essa, mas as mães sempre sabem.
E eu contei tudo que estava no meu coração. O que eu ouvi foi: "por que você não me contou? por que não pediu ajuda?!"
E essa não foi a primeira vez que eu ouvi isso de alguém.
Me vi como uma criança de novo tentando aguentar as coisas que não tinha como e por que?
Porque a gente não aprende que pedir ajuda também é ter coragem? 
Por que a gente não aprende que desabafar não é incomodar alguém? 
E eu digo do fundo do coração, sempre vai ter alguém pra ouvir. Sempre.
Não, não é aquela pessoa que pergunta como você está por educação, ou por tentar saber mais da sua vida. É aquela pessoa que pergunta como você está e seu coração pede pra você falar, mas você desiste na última hora.
Sabe quantas vezes eu pedi ajuda em momentos críticos e me negaram? Nenhuma. Era tudo caramiolas da minha cabeça. Não estavam ocupados demais pra me ouvir.
Quando estamos mal, ficamos cegos achando que não somos importantes, mas somos. Tem pessoas que querem nos ajudar, querem nos ouvir, querem nos dar a mão.
E nem sempre desabafar com os conhecidos é o suficiente, e nesses casos é a hora de procurar um profissional para nos ajudar. Tem muitos lugares que oferecem atendimentos gratuitos e com preços acessíveis. Mas deixo aqui um conselho, não é qualquer profissional, tem que ser alguém em quem você confia e com quem vai se sentir à vontade para abrir o seu coração.
Eu procurei. Faço terapia e a cada dia me descubro mais.
Pedir ajuda seja de um conhecido ou de um profissional não é vergonha, não é fraqueza, não é porque você não deu conta. É porque você é importante, suas questões são importantes e sua vida também e você merece receber ajuda.
Eu mesma ainda preciso ficar atenta quando estou bancando a wonder woman e falar: Viviane, você não está sozinha no mundo.
Até breve 💇

amor não é fazer tudo pelo outro


Eu não entendia muito bem essa história de equilíbrio nas relações e isso me meteu em algumas confusões no decorrer dessa vida, tanto em relacionamentos quanto em amizades.
No fundo eu acho que todo pisciano não tem muito essa medida quando se trata de amor, a gente se doa, bate a cabeça, dói, mas num é de perder a esperança e logo tá apaixonado de novo. haha
Mas daí, depois de bater com a cabeça na parede pela 100ª vez, aprendi uma coisa importante. 
Esse tal de equilíbrio é muito necessário dentro das nossas relações. 
É uma matemática simples, mas não tem nada de exato e nem de frieza não! 
A fórmula é clara: o quanto você recebe em qualquer relação tem que ser proporcional ao que você doa.
Coisa de energia gerada, entende?
Se você está ali gerando energia o tempo todo e ainda mais sozinho o que vai acontecer? Mais cedo ou mais tarde essa energia começa a falhar porque você precisa trocar energia com os outros. Não é só gerar, tem que receber de volta!
Não tem nada a ver com jogo de interesse, ou de ficar regulando se tem que dar mais ou menos amor, tem a ver com dignidade. Se você não sabe o que é relação digna, dá uma olhada no canal do Arly Cravo, que ele dá umas puxadas de orelhas na gente fenomenais.
É algo que a gente precisa treinar pra perceber onde está investindo energia demais e não está recebendo nada em troca.
Uma hora essa doação chega a um ponto que a gente não aguenta mais. 
A frustração chega e, sem perceber, começamos a cobrar e cobrar. Mas pera lá, como assim cobrar? O outro nem pediu, foi a gente que foi oferecendo todo o afeto, conselhos, abraços e tudo o que achava que tinha de melhor sem nem deixava ele respirar.
Pior é quando cai a ficha de que estamos ali sozinhos nos doando cada vez mais e o outro não está devolvendo, e não porque ele é um vilão, mas porque nós não percebemos que nos anulamos querendo tanto oferecer o nosso melhor ao outro, muitas vezes por medo que ele vá embora e fiquemos sozinhos, que esquecemos que merecemos o melhor também.
É horrível saber que investimos mais na felicidade do outro do que na nossa. 
Dá uma sensação de ter sido meio tonto, né? Aquela vontade de virar a vítima do planeta vem numa carreira! Choramos, fazemos dramas, colocamos o outro como vilão e nós como os românticos incompreendidos. Quem nunca? 
Agora me diz, onde foi que aprendemos a nos colocar sempre em segundo, terceiro e até quarto lugar? 
Quem nos ensinou que amor é sacrifício integral pelo bem do outro? 
O amor de verdade tem leveza. E uma relação onde há desequilíbrio, a leveza passa bem longe.
Se a gente se doa demais, as chances de isso não ser amor são enormes. Não era amor nem cilada, era só carência afetiva. E de onde veio essa carência? Veio porque você não se amou primeiro e se esqueceu de si mesma pra ficar a disposição do outro.
Sempre temos tempo de mudar. Sempre!

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