queimando lembranças

setembro 03, 2018


Hoje não está sendo um dos dias mais felizes.
Ontem assisti perplexa o incêndio que levou embora o Museu Nacional no Rio de Janeiro.
Veio um choro misturado com tristeza e revolta.
"Como isso é possível?" eu me perguntava sem parar e ainda continuo me perguntando.
Como é possível que algo tão maravilhoso, tão importante para o Brasil e o Mundo foi reduzido a cinzas desse jeito?
O que mais dói em tudo isso é ver que o Museu pedia socorro por anos e estava sendo ignorado. Então, ontem, ele não aguentou mais.
Eu não sei de dados específico, eu não faço a menor ideia da dimensão do prejuízo que temos e, na realidade, nunca farei.
O que havia ali dentro tinha centenas, milhares de anos. E agora é nada além da lembrança dos que ali estiveram.
Lembro de quando eu andava dentro do museu e admirava o acervo magnífico, lembro dos sons que o chão de madeira fazia, lembro das crianças encantadas olhando e respirando a História.
Eu não sei explicar muito bem o que eu sentia ali dentro, era como se eu estivesse em casa. Uma paz diferente, uma paz que a gente só tem quando sabe o que é um lar. Complexo, porém real dentro do meu coração.
São referências, documentos, preciosidades que se foram e eu posso ver cada um dos meus professores de História devastados nesse momento tanto ou mais do que eu.
Eu não gostava muito de ler quando estudava e meu déficit de atenção não ajudava muito nas aulas em que os professores falavam sem parar, mas, curiosamente, esse déficit parecia não existir quando as aulas eram sobre a História do mundo e do Brasil.
Os livros eram encantadores demais, coloridos, cheios de informações preciosas e os mestres que passaram por mim eram fabulosos em seus conhecimentos. Além daquelas provas "decorebas", tinha uma professora em específico, Angela, que sempre aplicava um teste que era uma redação.
E ali eu me encontrava. Eram devaneios sobre as fabulosidades históricas que eu conhecia. 
Não só ela, mas outros professores me ensinaram que devemos conhecer o passado pra não cometer os erros no presente.
Se deixamos o nosso passado queimar, ficamos sem referências e assim esquecemos das atrocidades que aconteceram e também dos nossos triunfos.
Pelas coisas que a gente ainda vê e ouve, uma História que nos ensina a evoluir e que devemos seguir cada vez mais em um caminho baseado no respeito, no amor, na paz e honrar nossos ancestrais que sofreram muito antes de nós nunca fez tanta falta como hoje em dia.
É uma tristeza que vai além da compreensão. 
É uma dor na alma.

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