sobre saber pedir ajuda

quarta-feira, 29 de agosto de 2018


Muitos de nós somos treinados desde cedo que o melhor mesmo é fazer tudo sozinhos. Quanto mais individualista e quanto menos pedirmos ajuda, melhor.
Então crescemos e nos vemos sozinhos com questões que não sabemos lidar: corações partidos, a escolha de uma faculdade, uma tristeza que surge do nada e nem sabemos identificar de onde vem...
Mas eu preciso dar conta de tudo sozinho! - repetimos muitas vezes, afinal é assim que os fortes e corajosos fazem.
E eu pensei assim tantas e tantas vezes e isso me machucou tanto ao longo da minha vida.
Meu coração foi partido e não foi uma vez só, foram várias. E eu não pedia ajuda, fazia piadas na frente dos outros enquanto esperava chegar em casa pra chorar sozinha.
Na escola quando debochavam de mim, eu me lembro que machucava umas 2000x mais do que eu demonstrava. Eu nunca pedi ajuda aos meus pais, nem falava que me colocavam apelidos. E eram os meus supostos amigos que faziam isso.
Fui crescendo acreditando que eu precisava ser mais e mais forte a cada dia, mas ao mesmo tempo minha alma parecia sempre sentir demais as coisas. Eu até que aguentava um tempo a postura de durona, mas por dentro estava lá em frangalhos, torcendo pra chegar a hora em que eu pudesse chorar e colocar as dores pra fora, sozinha é claro. Afinal, a gente também aprende que chorar é para os fracos.
Eu me via sozinha com tantas perguntas, tantas dúvidas, tantas tristezas que eu nem conseguia explicar, mas quando pensava em pedir ajuda, me sentia mal. Era uma sensação de fraqueza, de que iria incomodar os outros com minhas "reclamações".
Até que um dia eu estava em um dos piores dias de que eu posso me lembrar, e minha mãe me perguntou o que estava havendo. Eu não sei que bruxaria é essa, mas as mães sempre sabem.
E eu contei tudo que estava no meu coração. O que eu ouvi foi: "por que você não me contou? por que não pediu ajuda?!"
E essa não foi a primeira vez que eu ouvi isso de alguém.
Me vi como uma criança de novo tentando aguentar as coisas que não tinha como e por que?
Porque a gente não aprende que pedir ajuda também é ter coragem? 
Por que a gente não aprende que desabafar não é incomodar alguém? 
E eu digo do fundo do coração, sempre vai ter alguém pra ouvir. Sempre.
Não, não é aquela pessoa que pergunta como você está por educação, ou por tentar saber mais da sua vida. É aquela pessoa que pergunta como você está e seu coração pede pra você falar, mas você desiste na última hora.
Sabe quantas vezes eu pedi ajuda em momentos críticos e me negaram? Nenhuma. Era tudo caramiolas da minha cabeça. Não estavam ocupados demais pra me ouvir.
Quando estamos mal, ficamos cegos achando que não somos importantes, mas somos. Tem pessoas que querem nos ajudar, querem nos ouvir, querem nos dar a mão.
E nem sempre desabafar com os conhecidos é o suficiente, e nesses casos é a hora de procurar um profissional para nos ajudar. Tem muitos lugares que oferecem atendimentos gratuitos e com preços acessíveis. Mas deixo aqui um conselho, não é qualquer profissional, tem que ser alguém em quem você confia e com quem vai se sentir à vontade para abrir o seu coração.
Eu procurei. Faço terapia e a cada dia me descubro mais.
Pedir ajuda seja de um conhecido ou de um profissional não é vergonha, não é fraqueza, não é porque você não deu conta. É porque você é importante, suas questões são importantes e sua vida também e você merece receber ajuda.
Eu mesma ainda preciso ficar atenta quando estou bancando a wonder woman e falar: Viviane, você não está sozinha no mundo.
Até breve 💇

amor não é fazer tudo pelo outro

quarta-feira, 22 de agosto de 2018


Eu não entendia muito bem essa história de equilíbrio nas relações e isso me meteu em algumas confusões no decorrer dessa vida, tanto em relacionamentos quanto em amizades.
No fundo eu acho que todo pisciano não tem muito essa medida quando se trata de amor, a gente se doa, bate a cabeça, dói, mas num é de perder a esperança e logo tá apaixonado de novo. haha
Mas daí, depois de bater com a cabeça na parede pela 100ª vez, aprendi uma coisa importante. 
Esse tal de equilíbrio é muito necessário dentro das nossas relações. 
É uma matemática simples, mas não tem nada de exato e nem de frieza não! 
A fórmula é clara: o quanto você recebe em qualquer relação tem que ser proporcional ao que você doa.
Coisa de energia gerada, entende?
Se você está ali gerando energia o tempo todo e ainda mais sozinho o que vai acontecer? Mais cedo ou mais tarde essa energia começa a falhar porque você precisa trocar energia com os outros. Não é só gerar, tem que receber de volta!
Não tem nada a ver com jogo de interesse, ou de ficar regulando se tem que dar mais ou menos amor, tem a ver com dignidade. Se você não sabe o que é relação digna, dá uma olhada no canal do Arly Cravo, que ele dá umas puxadas de orelhas na gente fenomenais.
É algo que a gente precisa treinar pra perceber onde está investindo energia demais e não está recebendo nada em troca.
Uma hora essa doação chega a um ponto que a gente não aguenta mais. 
A frustração chega e, sem perceber, começamos a cobrar e cobrar. Mas pera lá, como assim cobrar? O outro nem pediu, foi a gente que foi oferecendo todo o afeto, conselhos, abraços e tudo o que achava que tinha de melhor sem nem deixava ele respirar.
Pior é quando cai a ficha de que estamos ali sozinhos nos doando cada vez mais e o outro não está devolvendo, e não porque ele é um vilão, mas porque nós não percebemos que nos anulamos querendo tanto oferecer o nosso melhor ao outro, muitas vezes por medo que ele vá embora e fiquemos sozinhos, que esquecemos que merecemos o melhor também.
É horrível saber que investimos mais na felicidade do outro do que na nossa. 
Dá uma sensação de ter sido meio tonto, né? Aquela vontade de virar a vítima do planeta vem numa carreira! Choramos, fazemos dramas, colocamos o outro como vilão e nós como os românticos incompreendidos. Quem nunca? 
Agora me diz, onde foi que aprendemos a nos colocar sempre em segundo, terceiro e até quarto lugar? 
Quem nos ensinou que amor é sacrifício integral pelo bem do outro? 
O amor de verdade tem leveza. E uma relação onde há desequilíbrio, a leveza passa bem longe.
Se a gente se doa demais, as chances de isso não ser amor são enormes. Não era amor nem cilada, era só carência afetiva. E de onde veio essa carência? Veio porque você não se amou primeiro e se esqueceu de si mesma pra ficar a disposição do outro.
Sempre temos tempo de mudar. Sempre!

2 passinhos para trás

segunda-feira, 20 de agosto de 2018


Parece que tem uma voz que nos encoraja: vai nessa! você dá conta, sim!
Muitas vezes essa voz é um verdadeiro impulso e nos ajuda a criar coisas
E é ouvindo essa voz que vamos acumulando umas listas absurdas de afazeres que ficam pela metade. Com você é assim também?
Isso aconteceu com o blog sem que eu me desse conta.
Quando comecei eu fiz perfis em todas as redes sociais achando que iria conseguir atualizar todas elas, afinal se tem algo que eu sou é criativa, então seria moleza, certo? Errado!
Porque não é só de criatividade que se fazem as redes sociais, tem números e umas paradas pagas que dificultam os posts a chegarem nas pessoas.
E o pior, ver todas elas paradas me dava bloqueio e preguiça. Eu ficava imaginando em ter que fazer coisas que eu não tinha a menor vontade de fazer, e acabava desanimando de escrever no próprio blog que é algo que eu gosto e muito de fazer.
Pois bem.
Eu tinha e tenho criatividade, mas simplesmente cansei daquelas redes sociais todas. De todos aqueles perfis, de todas as informações com vários links, imagens, frases e vídeos que eu sempre deixava pra depois e nunca olhava.


Sem o menor peso na consciência decidi deletar o Instagram do blog e criar um pessoal onde eu possa me sentir a vontade pra postar o que bem quiser sem necessariamente ter algo a ver com o que eu escrevo aqui.
Também deletei um Tumblr abandonado, o Twitter e um email.
Foi assim que eu resolvi que só quero oferecer o meu tempo para as redes sociais que realmente eu me sinto bem.
Não quero ter várias contas espalhadas das quais eu as vezes nem lembro a senha direito!
É melhor focar em menos coisas mas ter a certeza de que estarei nelas com a minha alma presente.
É melhor dar dois passos pra trás e reconhecer que está tudo bem a gente mudar de ideia, de que não precisamos dar conta de tudo o tempo todo.
Somos humanos e o aprendizado é contínuo. ✌