elogios e comentários desnecessários sobre o corpo do outro

sexta-feira, 28 de junho de 2019


Como já contei aqui no blog eu sempre fui alvo de piadinhas quando era pequena por ser gorda.
E passei uma vida inteira fazendo dietas malucas e cheguei ao ponto de não beber água porque no meu desequilíbrio emocional ela engordava já que era só um número da balança que importava.
Curiosamente esse momento em que estive na pior fase da minha vida eu estive relativamente magra e ouvia elogios sobre o quanto eu havia emagrecido, sobre a tal "força de vontade e dedicação".
E na verdade eu estava era profundamente feliz, me achava horrível e passava fome para caber em roupas porque eu queria usar o que todo mundo usava (roupas que acho horríveis hoje em dia diga-se de passagem).
Mas isso não importava.
As pessoas diziam que eu estava mais bonita e, mesmo não sentindo isso, era uma espécie de compensação. Um "docinho" pro ego que queria atenção claramente.
Toda vez que eu vejo um comentários no Instagram do tipo:

  • "você tá magra, que linda!" imagino que a pessoa associa magreza a beleza e, ok, os padrões nos ensinaram e reforçam isso, mas essa mesma pessoa inconscientemente ou inocentemente pode estar contribuindo para o distúrbio alimentar, por exemplo.
  • "tá precisando engordar hein, tá muito magra" ou "você está engordou! devia fechar a boca" eu me pergunto o porquê dessa necessidade de julgar o corpo do outro e ter que comentar. E a resposta é bem simples: não existe um porque.
Eu aprendi que se você não pode comentar algo que faça alguém se sentir melhor, então é melhor você ficar quieto pois sua fala é totalmente desnecessária.
Elogios são bem vindos, sim, mas somos seres humanos dotados de infinitas qualidades que podem ser apreciadas e elogiadas.
Não somos só um corpo.

Comida saudável sem terror

segunda-feira, 17 de junho de 2019



Desde pequena eu fui chamada de "gordinha". 
A mais gorda entre os amigos, a mais gorda na sala de aula o que me rendeu vários apelidos que não vou colocar nesse post, mas quem passou por isso na escola sabe bem quais são.
E com isso fui a alguns nutricionistas, dos quais eu saí chorando algumas vezes. 
Eu lembro de não poder comer biscoitos e nem beber refrigerantes quando era pequena e todo mundo podia. Lembro também que esperava a semana toda pra poder beber o tal refrigerante que a bendita médica simplesmente proibiu (só podia aos domingos).
Lá com meus 7 a 9 anos a única explicação pra não comer coisas que eu gostava era simplesmente que eu iria engordar ainda mais e na minha cabeça teria mais apelidos e iriam rir ainda mais de mim. Cresci acreditando nisso.
Eu tinha que comer coisas saudáveis pra ser magra como as outras crianças da minha idade. Só que elas não comiam as coisas saudáveis, elas comiam o que eu queria comer e não podia.
Comidas saudáveis pareciam mais uma punição do que algo que beneficiaria o meu corpo.
Não estou falando pra você se entupir de doces ou deixar seus filhos pequenos comerem tudo sem medida alguma, mas vá a profissionais que amam o que fazem e que saibam como ensinar o prazer real da comida ao invés de semear culpa e cortar tudo da alimentação de alguém com uma dieta pronta saída de uma gaveta que desconsidera seres humanos e nos trata como um padrãozinho.
Dia desses vi uma criança magra dizendo que não podia comer um doce para não ficar gorda.
Aí eu fiquei me perguntando: o que diabos estamos falando e fazendo com as crianças?
A informação é uma benção, mas quando disseminada de forma impensada é um lixo dispensável que só causa terror.
As pessoas dizem que a gente não pode comer isso porque faz mal, porque causa x números de doenças querendo promover o consumo de alimentos saudáveis por meio do caos e do medo.
E novamente me questiono sobre o que é mais saudável: um prato de salada que poderia ser maravilhoso, mas a gente come por medo de ficar doente ou gordo ou um pedaço de torta que a gente come feliz e sem culpa?
Pela minha experiência acredito no equilíbrio e demonizar as coisas não é um bom caminho para nada saudável.

sobre o medo de dizer "não" aos outros

sexta-feira, 14 de junho de 2019


Quem de nós gosta de ouvir um não?
A gente não aprender a ouvir e muito menos a dizer não.
Dói ouvir e dói dizer também. Nos sentimos mal em negar algo e por que isso?
Parece que soa até arrogante falar: não vou porque eu não quero.
No lindo e comumente distorcido mandamento "ame ao próximo como a ti mesmo" somos ensinados a amar mais aos outros e fazer de tudo para que sejam felizes e nos esquecemos do que nosso coração quer.
Dizemos sim querendo dizer não e assim vamos cedendo.
Vamos a festas que não queremos, convivemos com pessoas que não queremos, aceitamos empregos que não queremos... tudo pra agradar aos outros e dizer sim para eles. E o nosso sim? Nunca chega.
Olhando pra trás em todas as vezes que eu disse sim e o que eu queria era falar não, ou eu estava sendo guiada pelo medo de perder alguém na minha vida ou porque me colocava demais no lugar do outro e pensava: ah o que que custa fazer esse sacrifício, né? e se fosse comigo?
O problema é que, sim, custava, e custava muito.
Quando eu ía q festas, cinema ou reuniões por não querer dizer não, tudo era um simplesmente um porre.
O motivo? Simples: eu não estava ali porque eu queria estar.
Quando comecei a perder o medo de ouvir um não e, também, o medo de perder as pessoas, eu comecei a dizer ele com muito mais facilidade.
Não vou a festas que não quero, não falo com ninguém só por educação, não uso roupas que alguém me deu e eu odiei, não guardo mais tranqueiras que ganho e não se parecem em nada comigo.
A gente muda e isso é fantástico e o que eu aprendi até hoje é que:

  1. Quem nos respeita entende nosso não: e vai preferir ver a gente feliz do que fazendo algo obrigada e são esses que valem a pena ter na nossa vida. Os mimados a gente larga pra lá, ok?
  2. Dizer não também é auto respeito: é se colocar em primeiro lugar e isso não é errado, é sinal de amor a nós mesmos
  3. Qualidade de tempo é amor: uma coisa curiosa é que quando a gente aprende a dizer não o nosso sim começa a valer muito mais e as pessoas sabem que o nosso sim é 100% e o que vamos entregar a elas de nossa atenção e tempo, que são preciosos, também será 100%.
  4. Nós também precisamos aprender a ouvir não e respeitar as escolhas dos outros: quem não consegue dizer não dificilmente consegue ouvir e encarar como natural. E onde fica o tal amor que dizemos sentir? Amor é entender e respeitar as escolhas de quem amamos ainda que estas não sejam a que nós faríamos.
Eu não quero dizer que é pra sair dizendo não pra tudo e todos pra se firmar ou pra ser do contra. Isso é bem diferente. Estou propondo o exercício de se perguntar: até quando eu vou dizer sim para os outros enquanto estou dizendo não pra mim?
Boa semana. 💖

Deixando as caramiolas pra lá

quarta-feira, 5 de junho de 2019


Você também tem essas vozes que insistem em colocar caramiolas onde não tem?
Lembrando que caramiolas são amebas que ficam nos perturbando e não tem nada em comum com intuição, tá?
Pois é. Eu tenho! Mas estou aprendendo a mandar elas calarem a boca! 😅
Quando estava na escola, eu sempre tinha a impressão que tinha ido mal nas provas. Mas não era por não ter estudado, eu simplesmente sempre achava que iria tirar uma nota baixa.
95% das vezes eu errei. E lá chegava um 9 ou 8, por exemplo. Eram as tais caramiolas.
Em outras vezes eu ia no dentista achando que ia ter que arrancar um dente e no final ele fazia uma limpeza e ainda me dava os parabéns.
Ou quando estamos doentes e vamos pesquisar no google e já temos a sensação que vamos morrer, mas depois era só uma virose. Eu parei de fazer isso. É sério!
E, claro, não tenho como não comparar essas coisas com quando uma amizade ou relacionamento acaba e a gente acha que nunca mais vai encontrar alguém. Fazemos dramas absurdos e quando passa um tempo nem sequer lembramos dessas pessoas.
E ainda me arrisco a dizer que na maioria das vezes quando lembramos do drama todo, damos uma gargalhada e ainda fica aquele sentimento de "já foi tarde"!
Perdemos tempo e energia quando ficamos dando corda a imaginação pra criar situações mirabolantes e absurdas que de fato só acontecem dentro da nossa cabeça (graças a Deus por isso!)
Será que falta otimismo ou falta auto confiança? Acho que um pouco dos dois.
Ok, mas de onde vem essas vozes negativas e por que nós damos ouvidos a elas?
Traumas, coisas que ouvimos, experiências de conhecidos. Tudo pode influenciar o surgimento dessas caramiolas.
Tem horas que a gente consegue lidar com esses pensamentos sozinho, mas quando eles começam a nos impedir de agir é hora de buscar ajuda.
Somos muito mais fortes e mais corajosos do que imaginamos. 💜
E afinal... quem nunca fez uma tempestade em copo d'água?