Empatia em tempos de caos

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Na minha humilde opinião, a empatia tem sido um exercício constante para todos nós nessas últimas semanas.
Nem sempre é fácil nos colocarmos no lugar do outro e tentar compreender com o coração o que a mente já condenou.
Pra mim foi bem complicado me colocar, por exemplo no lugar das pessoas que correm para os supermercados e estocam comida em tempos assim.
Vesti logo a minha toga de juíza e comecei com o discurso: mas isso é um absurdo! Como que as pessoas não pensam nos outros! Que mundo é esse?
Aí eu parei pra pensar: quem sou eu pra julgar essas pessoas do alto dos meus privilégios?
Eu não sei o que é passar fome então como posso julgar alguém que tem medo de não ter o que comer?
É claro que no mundo ideal todos somos um e todos nos importamos uns com os outros, mas acho que eu nem preciso dizer que não estamos nesse mundo, pelo menos não ainda.
Fácil apontar o dedo e rir daqueles que se desesperam e perdem o rumo diante desse caos, difícil é acolher e perceber na hora que aquilo não é a pessoa, mas uma reação diante de algo inesperado.
Às vezes eu via as pessoas desesperadas porque não podem sair de casa e eu não tinha muita noção do porquê disso tudo já que eu amo ficar em casa e mais uma vez eu tive que sair do meu quadradinho confortável de apontar e julgar e me colocar no lugar do outro.
Ficou muito mais fácil entender o que eles sentem.
A verdade é que nós não temos como saber a bagagem que cada um carrega e é por isso que fica praticamente impossível julgar a partir do nosso olhar.
Ah mas se fosse eu... jamais faria isso...
Será mesmo que não?
Será que se nós estivéssemos no lugar da pessoa que estamos julgando faríamos diferente?
É preciso reconhecer nossa arrogância.
Nós não temos nem sequer como voltar atrás na nossa própria vida e mudar as escolhas que fazemos e hoje julgamos erradas, imagine então julgar as escolhas dos outros...
Cada um faz o que a consciência permite.

Será que é possível ter empatia até um certo limite somente?
Talvez exista um limite para concordar ou não com determinadas ações de acordo com o que nós julgamos certo ou errado, mas se nós fizermos o exercício de nos colocarmos no lugar do outro conseguimos ver que realmente, uma vez que não somos juízes de fato, só podemos julgar se calçarmos os sapatos dele e viver o que ele viveu.
O que eu sei é que eu prefiro fazer o papel de Empata e, por mais que eu ainda falhe muitas vezes e me pegue julgando, tenho deixado o papel de Juiz para os que tem competência para tal.

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