O clima está, de fato, estranho

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Por mais irônico e louco que possa parecer eu, que quase nunca saio da minha querida casa, tive que sair esta semana, no meio de um isolamento total, para tomar conta dos meus afilhados pois a mãe deles precisaria sair de casa bem cedo para resolver um problema.
Pois bem, levantei antes das seis, me arrumei e fui.
Havia bem poucos carros na rua se for comparar com o normal no bairro em que eu vivo e no dela também, mas até aí eu não tinha sentido o peso do clima ainda pois como era bem cedo e por boa parte das pessoas estarem dormindo não tinha muito o que reparar nas ruas.
Foi na volta que eu realmente comecei a prestar mais atenção nas minúcias pelo caminho.
As pessoas que estavam nas ruas carregavam um semblante bem preocupado, triste e cujo medo a gente pode notar a muitos metros de distância e elas tem razões para tal.
Os cariocas daqui estão sempre sorrindo, falando alto, se abraçando pela rua. Acabam de conhecer alguém e já ficam horas lá batendo papo. Bom, esse é o modo como eu sempre os vejo desde bem pequena.
Dessa vez eu não vi um sorriso sequer.
As pouquíssimas pessoas que se cumprimentavam era apenas com um tímido aceno de cabeça ou das mãos.
Nos pontos de ônibus cheguei até a ver pessoas com máscaras e foi aí que a tristeza que eu queria tentar ignorar no ar, enfim, me pegou. 
Que impressão estranha eu tive vendo isso.
Nem sei descrever ao certo o que foi, mas eu vim pelo caminho pensando em como isso tudo parece um filme e nós seguimos esperando as próximas cenas.
Poucas lojas abertas. Avisos colados nos estabelecimentos fechados. 
Filas gigantes do lado de fora dos bancos.
E aqui, onde a maioria conversa até com o poste, não havia uma voz sequer.
É estranho ver o meu amado Rio assim, entristecido e fechado. Isso foi o que me doeu.
Ficar em casa, pra mim, é fácil. 
Eu tenho minhas maneiras de lidar com a tristeza, com a ansiedade e com o medo quando eles começam a me rodear, mas ver várias pessoas assim, para uma empata, foi como se eu pudesse sentir no ar a tristeza e o medo que, em um momento onde temos que ficar longe uns dos outros, une todos nós.
Com a esperança que nunca me abandona eu sinto no fundo do meu coração que vamos superar isso, mas a acho que a pergunta todos nós fazemos dia após dia é: quando?
Ainda não há uma data de fato, mas eu sigo otimista,com fé e tentando manter minha energia positiva o máximo que consigo.
Não, eu não quero de volta a vida como ela era antes porque sei e acredito que vamos sair de toda essa experiência muito mais fortes e sábios, mas eu espero ver de volta os sorrisos de volta as ruas em breve não só do Rio de Janeiro, mas do mundo.
Seguimos em frente, acreditando e que boas notícias cheguem até nós!
Isso vai passar.

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