Empatia: além de uma palavra bonita

sábado, 29 de agosto de 2020


Hoje eu acordei com a notícia de que Chadwick Boseman, o grande astro de Pantera Negra, havia falecido.
Na mesma hora eu pensei que era esse vírus que tem levado tantas pessoas, mas não.
Era mais um dos guerreiros que lutou bravamente por anos contra o câncer.
Dentre as várias homenagens e posts no Instagram feitos sobre o ator, uma me chamou a atenção, a que estava no perfil da Gabi: onde era falado que o ator apareceu muito mais magro por conta da doença e dos tratamentos que nós sabemos que são ainda muito agressivos ao corpo humano e muitos fizeram piadas sobre ele na internet.
E foi nesse momento que eu chorei.
Uma suposta justificativa para tal? Ah, mas ninguém sabia que ele estava doente...
E daí que ninguém sabia?
Por que ainda hoje as pessoas usam seu tempo pra ferir os outros na internet, pra dizer coisas que machucam ao invés de simplesmente guardar seu lixo pra si mesmas?
Onde é que nós continuamos errando como seres humanos a ponto de não transmutar essas coisas em nosso planeta?
Pessoas com os sorrisos mais bonitos lutam batalhas que não fazemos a menor ideia.
Muitas dessas batalhas podem ser doenças, a perda de entes queridos, ou um vazio que nada consegue solucionar, por exemplo.
Eu mesma já sorri muitas vezes para esconder dores das pessoas que eu mais amava no mundo e não me arrependo.
Cada um de nós sabe como é lidar com as próprias batalhas internas diariamente. 
Julgamos o outro por aquilo que vemos e pensamos no quanto a vida dele é mais fácil ou mais feliz que a nossa. 
Só porque algumas pessoas escondem as próprias feridas não quer dizer que elas não existam.
Não custa ser gentil.
Não custa tratar os outros bem.
Não custa respeitar as dores dos outros.
O mesmo impulso para criticar pode e deve ser usado para oferecer um elogio.
As palavras podem levantar ou derrubar pessoas e por isso precisamos escolher bem como usá-las.
Mas o fato é que nós nem sequer sabemos tratar bem e com amor a nós mesmos imagine os outros...
Falta empatia na prática.
Ela é uma palavra muito bonita que as pessoas adoram usar, mas sentir mesmo? Parece que ainda temos um longo caminho a percorrer.


Que ele descanse em paz da batalha que enfrentou nesse plano, que Deus conforte o coração da família e daqueles que o amavam.

E que nós aprendamos cada vez mais a apontar menos o dedo e julgar os outros porque não sabemos nada da vida. Nem da nossa, nem da de ninguém.

EMPATIA.
Sempre.
E cada vez mais.

Autoestima e Redes Sociais

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Hoje me peguei pensando sobre uma época da minha vida em que eu seguia perfis fitness para me inspirar a emagrecer. Eu perdia horas e horas vendo aqueles pratos de dietas e várias e várias dicas de exercícios.
E perdia essas horas por que? 
Simplesmente porque eu via tudo e era uma realidade tão distante do que eu queria e estava disposta a fazer que só me fazia cada vez mais mal ficar acompanhando esses perfis e eu não colocava nada em prática porque só de ver eu já achava tudo muito impossível.
Foram anos nessa obsessão por emagrecer vendo pessoas que não me inspiravam nem um pouco, aliás, elas me despertavam sentimentos que não me ajudavam em nada.
A inveja e a comparação eram constantes.
Eram sempre umas receitas sem graça pro meu paladar com coisas que não tenho acesso onde moro e quando tentava comprar as pessoas nem sabiam o que eram, sem contar os exercícios fora da minha realidade e preparo físico.
É claro que esses perfis inspiram milhões de pessoas diariamente, mas não eu não era uma dessas pessoas. Definitivamente não é nem de longe o meu estilo de vida.
Um belo dia eu vi um vídeo onde a pessoa falava que nós deveríamos seguir pessoas com corpos parecidos com os nossos. 
Eu decidi experimentar. Dei unfollow nas pessoas que faziam com que eu me sentisse mal e comecei a procurar pessoas mais parecidas comigo e com vidas mais perto do que eu chamo de realidade, sem aquele glamour e perfeição toda que estamos acostumados a ver todos os dias. 
E aqui cabe falar que o problema não está nelas e nem em mim, mas eu nunca me sentia representada. Era apenas uma meta que me fazia cada vez mais mal e só piorava minha relação com a comida.
Eu tinha finalmente encontrado pessoas com o corpo parecido com o meu e elas eram lindas e maravilhosas!
Esse dia foi um divisor de águas na minha relação comigo mesma.
Como é maravilhoso encontrar mulheres maravilhosas que realmente me inspiravam e que quando eu via uma roupa nelas eu sabia como iria ficar em mim sem ter que fazer sacrifícios pra isso.
Eu podia apenas ser como eu era, sem precisar perder peso e isso me deu um alívio surreal.
Como é bom me sentir representada. Fez e ainda faz muita diferença.

Respeitando meus limites

segunda-feira, 24 de agosto de 2020



Ontem, um pouquinho antes de dormir, peguei minhas canetas coloridas, meu planner basiquinho da Tilibra cor de rosa, um chocolate quente e comecei a fazer as listas de afazeres da semana feliz da vida.
Acordei nessa segunda-feira e não foi nenhuma surpresa quando vi a temperatura.
Esses dias no RJ estão de fato um gelo ainda não consegui transmutar minha raiva do frio! 😂) e tenho adiado o que posso sem culpa.
mais um dia de frio no Rio de Janeiro.
Quando a gente planeja a semana não leva em consideração como vamos estar no dias em questão.Fica lá tudo muito lindo e organizado nos planners, agenda e apps
Eu comecei a fazer um novo exercício já faz algumas semanas que tem dado resultados e tem mudado os meus dias e minhas cobranças.
O tal exercício é o de começar a conversar com meu corpo e perguntar a ele sobre o que ele quer comer, sobre descansar ou sobre fazer as coisas e acreditem, o corpo fala. Principalmente o coração,
Foi isso que eu perguntei hoje quando eu acordei e vi aquele tempo nublado e cinza de novo por aqui: perguntei para o meu corpo o que iríamos fazer hoje e claro que nem todas as pessoas tem esses privilégio e eu reconheço isso. 
Tem dia que estamos bem e dispostos e tem dias que não estamos bem. Faz parte da nossa caminhada nessa existência esses altos e baixos.
Muitas vezes acabamos nos obrigando a fazer coisas pra cumprir listas ou expectativas do nosso ego e até das outras pessoas.
Nos melhores dias nos dedicamos com toda a alma ao que devemos fazer, mas e nos dias em que tudo o que queremos é ficar quietos no nosso canto?
A minha sugestão pra quem ler esse post e estiver se cobrando demais hoje é:
Faça tudo sempre com alma e se respeite, se desafie, sim, para não permanecer acomodado, mas nos dias em que sua alma pedir calma e silêncio, ouça.
Existem compromissos e tarefas que são importantes, mas tem sempre algo que podemos adiar.

Estou me acostumando a ouvir cada vez mais a voz da minha alma e o meu corpo sem me julgar.
E você? Consegue ouvir da sua?

Falar sobre o que sentimos de verdade

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Tem certas horas em que a gente se sente muito só e com muitos problemas para resolver, a cabeça fica uma bagunça e o coração também e nem sabemos por onde começar ou o que fazer para melhorar ainda mais nesse período louco que estamos vivendo...
Eu tenho vivido dias bem esquisitos por aqui. Umas horas fico mais otimista, outras perco o otimismo e pra voltar a encontrar demora um pouco.
Nessas horas vazias por vezes pensamos: "como faz falta ter alguém pra me ouvir essas horas..."
Mas e quando nós trancamos a porta, como é que eles podem chegar até nós?
Dizer que está tudo bem quando não está é uma das formas de impedir que o outro possa ao menos tentar nos ajudar e, pode acreditar, sempre existe pelo menos uma pessoa disposta e nós não enxergamos.
Dia desses conversando com uma amiga fui percebendo que muitas da angústias que eu tinha ela tinha também.
O mundo está cheio de pessoas dispostas a oferecer ajuda e muitas vezes tudo o que nós precisamos fazer é abrir a porta do nosso coração para que elas possam entrar.

Falar como nos sentimos para alguém que nos entende e nos acolhe com empatia traz alívio para o nosso coração e traz clareza pra nossas mentes também.
E eu vou reforçar isso aqui: pessoas com empatia.
Nunca devemos contar de nossos "segredos" para aqueles que sabemos que vão nos julgar ou que virão com 10 pedras na mão.
Seja nos abrindo com os nossos familiares, amigos seja com os profissionais que são formados para isso e se dedicam imensamente a ajudar tantas pessoas.
Precisamos falar mais sobre os nossos medos, tristezas e angústias porque isso nos sufoca e causa doenças.
Muitos sofrem sozinhos por anos e anos com vergonha de pedir ajuda, mas o outro não tem como adivinhar o que carregamos em nossos corações, somos nós que precisamos abrir a porta, falar, compartilhar.
E como diria um professor, aliás, um mestre que conheci uma vez na faculdade:
"Nós não somos ilhas".

Diálogos Internos: como você se trata?

quarta-feira, 19 de agosto de 2020



Hoje estava pensando sobre como muitas vezes procuramos nas palavras do outros um incentivo, um carinho, um apoio, um aconchego e não é bem isso o que recebemos...
Ah as expectativas, né?
Ficamos frustrados e até mesmo pensamos que o outro é cruel, insensível e mais um monte de coisa. Olha nós aí julgando o outro porque ele não agiu como esperávamos!
E cá entre nós, talvez o outro seja tudo mesmo, afinal nesse mundo a gente vê de tudo, mas essa não é a questão mais importante nesse momento.
O ponto é: a sua voz consigo mesma é infinitamente mais poderosa do que a dos outros. Sim, pode acreditar.
Pra fazer uma comparação mesmo que louca é como se a nossa voz interna gritasse e voz do outro é uma voz em tom "normal".
Ah então quer dizer que a voz do outro não ajuda quando precisamos? 
É claro que ajuda! Mas nós precisamos criar o costume de ter um diálogo de amor e compaixão interior para não depender sempre do que o outro vai nos falar. 
Experimente falar para si o que gostaria de ouvir dos outros.
Vigie o seu diálogo interno principalmente nos piores dias. 
O que você fala para si mesma?
Quando está doente, por exemplo, como você se trata? Aliás, como você trataria a pessoa mais especial do mundo nesse momento.
É assim que temos que nos tratar.
Algo que ajuda é perguntar pra si mesma: 
É amor que falta? 
Ótimo! Então é do meu próprio amor que estou precisando.

Investiguemos mais antes de cobrar dos outros.
É atenção? Compaixão? Empatia? Escuta? Palavras amigas? Um abraço? Um chocolate quente e cobertor?
O amor, o carinho, a atenção e os conselhos dos outros nos ajudam muito, mas eles não serão suficiente enquanto nós não nos tratarmos como merecemos antes.
Até porque ainda que alguém nos conheça bem e por anos e anos, ninguém pode nos conhecer tanto quanto nós mesmos. 
Somos nós que vivemos no nosso corpo 24 horas por dia por anos e anos...
Nós já somos especiais, só que muitas de nós fomos ensinadas a não enxergar isso.
É tempo de nos tratarmos como queremos ser tratadas. Vamos juntas!

Agindo por nós ou pelos outros?

terça-feira, 18 de agosto de 2020

De uns tempos pra cá comecei a prestar cada vez mais atenção nas minhas ações, principalmente no que eu fazia ligada no automático. 
Comecei me perguntando: por que eu faço isso? é mesmo algo que eu quero ou é só costume?
Depois me aprofundei e passei para: por quem?
Tem muitas coisas que fomos condicionados a fazer e nem percebemos.
Tem coisas que fazemos para deixar os outros felizes ignorando a nossa própria vontade.
Quantos de nós fizeram cursos na faculdade porque era o sonho dos pais?
Quantos de nós mantem relacionamentos com medo de magoar o outro?
Quantos de nós moram em lugares que não gostam, mas não querem que a família sofra se forem para longe?
Estamos comendo os alimentos que temos real vontade e que nos fazem bem ou simplesmente seguindo uma regra que alguém nos disse sobre o que era saudável sem nem sequer conhecer nosso corpo e perceber como ele reage?
Estamos nos vestindo e nos maquiando do jeito que queremos ou porque está na moda ditada por quem não sabe nada sobre a diversidade de corpos que existem no planeta e só sabe ditar regras?
Assim vamos caminhando sem saber a diferença entre o que de nós tem nas ações e o que tem daqueles que enfiaram nas nossas mentes a ideia do que deveria ser feito, de como deveríamos agir. 
Muitas vezes vamos agindo baseados no que os outros vão pensar, no que os outros vão sentir, com medo de decepcionar alguém...
Mas e nós? 
E o que nós sentimos?
Muitos de nós aprendemos que sacrificar a nossa própria felicidade pela felicidade dos outros é sinônimo de bondade e nobreza.
Será mesmo?
Acredito que sacrifícios que ferem a nossa essência não valem a pena.
Quando estamos cercados de pessoas que realmente nos amam de maneira saudável elas querem nos ver felizes.

Aperfeiçoando ou Procrastinando?

domingo, 16 de agosto de 2020


Estamos vivendo uma época em que o acesso a informação é absurdamente rápido e rápido para muitos de nós.
Tudo vem muito fácil às nossas mãos.
Bastam 2 ou 3 cliques e pronto: achamos milhares de livros, cursos, especialistas oferecendo o melhor para nos ajudar em qualquer tema.
Cursos dos mais variados tipos e valores e a quantidade de conteúdo gratuito então... tem pra todos os gostos. Isso é um fato.
E muitas vezes nós ficamos até nos sentindo meio perdidos como quem vai ao supermercado escolhendo o que vamos comprar afinal são tanta as opções disponíveis...
Observando.
Absorvendo.
Aprendendo.
Nos esforçando na tentativa de ser a "nossa versão" ou pelos menos buscando na teoria essa tal melhor versão...
E cá entre nós a teoria é mesmo fascinante e de fato nos ajuda a ter pistas de onde ir, mas nem o conhecimento que fica dentro da nossa mente isolado e nem os nossos mentores podem fazer o trabalho por nós.
Nós é que temos que caminhar. E caminhar já implica em ação, nos mover, sair do lugar... 
Exatamente. Sair das telas, dos livros das asas dos mentores e ir pra vida colocando em prática o que nossa mente já aprendeu.
E é exatamente nessa hora que muitos de nós travamos.
Será que estou mesmo pronta? Talvez eu devesse fazer mais um curso, só mais um... ou ler aquele livro!
Qual é o momento certo para começar a agir?
Quando estamos realmente prontos?
Será que esta busca incansável e interminável pelo conhecimento e pela teoria por si só não esconde o nosso medo de ir para a prática? Medo de cometer os tão temidos erros no percurso?
Perguntas e mais perguntas...
Mas de uma coisa eu sei: nós estamos prontos para viver o hoje, mesmo que a gente ache que não, e sobre o amanhã saberemos amanhã.

Celebrando Pequenas Vitórias

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Bom, eu já falei aqui no blog algumas vezes sobre como é importante a gente agradecer. 
Na verdade eu já fiz até uma lista que foi salva e compartilhada centenas de vezes lá no Pinterest com vários motivos para agradecer que eu chamei de Desafio/Diário da gratidão.
Pois bem. Antes da minha última sessão da terapia, eu resolvi fazer uma coisa diferente.
Em geral a gente leva para essas sessões as coisas piores que aconteceram porque a gente tem a necessidade de colocar pra fora tudo o que está sufocando nosso peito por dentro, mas dessa vez me veio uma ideia diferente: focar nas pequenas vitórias.
O mês de julho para mim foi muito difícil e eu tive algumas situações bem conflitantes nesse mês e até uma crise da ansiedade que eu nunca tinha tido na vida. thanks, quarentena!
Eu acabei percebendo que estava olhando só para a metade vazia do copo e daí eu resolvi mudar a perspectiva e ver o que de bom eu fiz.
Não só agradecer as coisas boas, mas, sim, verificar as pequenas vitórias que eu tive dia após dia. 
E eu fui percebendo que não foram só dias ruins que eu tive e que, na verdade, eles foram a minoria comparada ao mês inteiro.
Acho que muitas vezes a gente fica esperando ter uma grande vitória para comemorar e nesses dias de quarentena estamos aprendendo a dar mais valor ao que antes passava despercebido por nós. 
É preciso celebrar, nos dar os parabéns por continuar seguindo, tentando dia após dia. 
Tem dias que levantar da cama e tomar um banho já é uma baita vitória pra muitos no mundo e nós menosprezamos isso.
Dar um telefonema, conseguir arrumar uma gaveta, sair do quarto e largar o computador pra ir até o quintal, fazer o seu próprio almoço ao invés de pedir qualquer fast food... pequenas coisas que merecem mais valor por nós.
O caderno da gratidão, pra mim, ganhou um novo sentido esses dias: não só agradecer as coisas boas,  mas me parabenizar pelo que eu fiz pelo meu bem principalmente. 
Me enxergar como alguém que continua seguindo apesar dos pesares tem sido importante para mim.
Esses registros fazem muita diferença acima de tudo naqueles momentos mais desafiadores em que parece que não temos nem vontade de levantar da cama. 
Nenhum passo é pequeno demais e agora mais do que nunca, cada passinho conta.
Se eu puder dar um conselho para quem vai ler esse post ele seria: agradeça assim, mas também anote suas pequenas vitórias cada uma delas para que você se lembre amanhã do quanto você foi forte hoje, de que você não desistiu e tem, sim, forças pra continuar.
Vamos em frente!

Onde encontrar esperanças?

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Dia desses me peguei contando há quanto tempo eu não via o meu afilhado menor.
3 meses.
Os outros 2 eu já vi depois, mas não pude sequer abraçá-los ou chegar muito perto.
Quando essa quarentena começou acho que eu era uma das mais otimistas dentre os que me cercam.
Eu repetia que tudo iria ficar bem, que tudo iria terminar logo e a cura viria. Até abril teremos a vacina! eu otimista, dizia.
Bom, eu estava enganada.
Passou Abril, Maio, Junho e Julho.
Nada.
Tem dias que esse otimismo ainda está forte e eu tenho muita fé que estamos cada dia mais perto, mas tem dias que parece que a esperança me escapa entre os dedos esperando por algo sem saber quando virá.
Eu sento e converso com Deus: quando isso vai acabar?
A resposta sempre vem por meio de sinais e na maioria esmagadora das vezes esse sinal diz: tenha fé.
Continuo tentando não só não perder, mas aumentar essa fé dia após dia e tenho pedido a espiritualidade que me ajude a seguir.
Inegavelmente muitos nem sequer viveram a tal quarentena então para eles não faz diferença quando vai acabar.
Acredito que para muitos de nós que levamos a sério a missão do distanciamento a dor da solidão machuca cada dia mais. Cada minuto que a gente não tem a notícia de que finalmente existe a cura parece uma eternidade.
Acordamos e vamos dormir esperando e passam os dias, os meses.
Já não sei mais há quantos dias isso começou.
Não me interessa saber como ou porque começou.
Eu só quero que tudo isso acabe.
Só quero saber o dia em que eu poderei abraçar todos que eu amo novamente, comer um pastel na feira cheia enquanto olho os idosos com seus carrinhos cheios de legumes falando com os feirantes.
Quero entrar nos lugares e não ver mais essas máscaras que me dão pavor.
Eu quero a liberdade de existir de volta, de sair e não ter que ficar em pânico com medo de encostar em algo, ou alguém.
Eu sei que tudo vai passar.
A humanidade já venceu muitas coisas e sim, nós somos mais fortes do que pensamos, mas eu só espero que seja logo.
Às vezes a gente só tá cansado de ser sempre aquele que diz "tudo vai ficar bem, tenha fé" quando todos estão em desespero e achando que é o fim.
Mas o que nos resta além de continuar tentando? A gente chora, desabafa e segue em frente porque enquanto estamos vivos aqui há uma esperança.

5 (das inúmeras)coisas que aprendi com a minha afilhada

sábado, 1 de agosto de 2020


Hoje a minha linda afilhada leonina faz 15 anos.
Ainda lembro do dia que eu fui visitar ela no hospital logo depois de ter nascido. Parecia uma balinha de goma toda vestidinha de rosa. Ali eu me encantei.
Eu achava que não tinha muito tato pra crianças meninas devo dizer até porque eu tinha um afilhado menino, cresci com um primo que é o irmão que não tive e achava assim que eu era meio "bruta" para as coisas, mas quando a nossa princesinha nasceu eu descobri que não era bem assim.
Eu que não gostava de rosa via todos os dias ela lá parecendo como uma bonequinha, a nossa bonequinha tão amada.
Anninha é o que uma leonina vem ao mundo pra ser: puro brilho. Mas ela faz com que aqueles que a cercam acreditem que possam brilhar também.
Não é um papo apenas de madrinha babona o que eu assumo que sou mesmo, mas é porque nesses 15 anos ela me ensinou tanta mas tanta coisa que toda vez que eu a vejo eu me sinto abençoada de ter ela na minha vida.
Eu lembro que uma vez eu estava muito deprimida, mas muito mesmo e passava dias chorando. Ela devia ter uns 9-10 anos na época e como se fosse hoje eu choro e lembro dela dizendo pra mãe que iria trazer a mochila cheia de brinquedos para brincar comigo porque assim eu não iria ficar triste.
Das tantas coisas que ela me ensinou a mais linda de todas foi a de me ajudar a ser uma pessoa melhor pra mim mesma.
Dou risada quando perguntam pra ela "você gosta de você mesma" e a resposta dela é sempre "é óbvio!", mas é a pura verdade. Ela não é convencida, o que ela é é consciente de que gostar de si mesma é fundamental pra todos inclusive pra que a gente possa gostar dos outros também.
É como a minha mãe, outra leonina pura, dizia: "se você não se amar, então quem vai?".
E das muitas coisas que ela me ensinou, separei 5:


Gostar mais de mim mesma

A gostar mais de mim e a me olhar com mais carinho tanto para o lado externo quando para o interno. É tentador a gente se colocar pra baixo procurando defeitos, e ela me ajudou a prestar atenção em minhas qualidades quando me olho no espelho, a focar no que eu gosto e não no que eu não gosto em mim. Ela me inspira todos os dias a me amar cada vez mais e a me tratar bem em primeiro lugar.


Aprender mais coisas novas

A velocidade do mundo desses jovens as vezes me assusta e confesso que eu fico bem perdida nas atualizações tecnológicas haha E ela vai lá com toda sua paciência e amor e me ensina as coisas do "mundo dela". E mesmo quando eu estou meio sem paciência me achando meio burrinha por não conseguir fazer ou aprender algo não tem como desistir porque ela está lá pra não deixar. haha 


Amar cor de rosa

Essa chega a ser engraçada. Eu sempre amei azul e tinha até um rancinho de tudo que era rosa. Eu gosto de ser diferentona desde criança essa é a verdade, mas devo dizer que meu carrinho de bebê foi azul então minha mãe também era diferentona! hahaha Pois bem, quando a Ninha chegou aqui eu me apaixonei pelo rosa de tanto que eu via todos os dias aquela mini Barbie. E o que aconteceu? Hoje em dia ela ama azul e eu amo cor de rosa... vai entender, né?


Aceitar elogios

Ela aceita mesmo. Simples assim. E isso me ensinou a aceitar também. Afinal se a outra pessoa está nos fazendo um elogio é como se fosse um presente que ela está ofertando, pra que desmerecer isso? Já até escrevi aqui no blog mais sobre esse assunto.


Me mimar e me presentear

Eu sempre tive essa coisa de "pra que comprar isso?" quando se tratava de coisas pra mim, mas eu nunca tive isso para os outros. E eu fui aprendendo que eu posso mimar os outros e a mim mesma porque eu mereço presentes tanto quanto as pessoas que eu amo. E hoje se eu quero algo e tenho condições e vai me deixar mais feliz eu compro porque já sei que eu mereço o melhor que puder dar pra mim.

A mensagem que fica pra mim sempre que estou não só com a Ninha mas com todos os meus afilhados, e eu estenderia aqui para todas as crianças sem medo, é que eles tem muito mais pra ensinar do que a gente imagina basta que a gente entenda que eles também são mestres e tudo o que nós temos que fazer é manter o nosso coração sempre aberto para os pequenos grandes mestres.