Onde encontrar esperanças?

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Dia desses me peguei contando há quanto tempo eu não via o meu afilhado menor.
3 meses.
Os outros 2 eu já vi depois, mas não pude sequer abraçá-los ou chegar muito perto.
Quando essa quarentena começou acho que eu era uma das mais otimistas dentre os que me cercam.
Eu repetia que tudo iria ficar bem, que tudo iria terminar logo e a cura viria. Até abril teremos a vacina! eu otimista, dizia.
Bom, eu estava enganada.
Passou Abril, Maio, Junho e Julho.
Nada.
Tem dias que esse otimismo ainda está forte e eu tenho muita fé que estamos cada dia mais perto, mas tem dias que parece que a esperança me escapa entre os dedos esperando por algo sem saber quando virá.
Eu sento e converso com Deus: quando isso vai acabar?
A resposta sempre vem por meio de sinais e na maioria esmagadora das vezes esse sinal diz: tenha fé.
Continuo tentando não só não perder, mas aumentar essa fé dia após dia e tenho pedido a espiritualidade que me ajude a seguir.
Inegavelmente muitos nem sequer viveram a tal quarentena então para eles não faz diferença quando vai acabar.
Acredito que para muitos de nós que levamos a sério a missão do distanciamento a dor da solidão machuca cada dia mais. Cada minuto que a gente não tem a notícia de que finalmente existe a cura parece uma eternidade.
Acordamos e vamos dormir esperando e passam os dias, os meses.
Já não sei mais há quantos dias isso começou.
Não me interessa saber como ou porque começou.
Eu só quero que tudo isso acabe.
Só quero saber o dia em que eu poderei abraçar todos que eu amo novamente, comer um pastel na feira cheia enquanto olho os idosos com seus carrinhos cheios de legumes falando com os feirantes.
Quero entrar nos lugares e não ver mais essas máscaras que me dão pavor.
Eu quero a liberdade de existir de volta, de sair e não ter que ficar em pânico com medo de encostar em algo, ou alguém.
Eu sei que tudo vai passar.
A humanidade já venceu muitas coisas e sim, nós somos mais fortes do que pensamos, mas eu só espero que seja logo.
Às vezes a gente só tá cansado de ser sempre aquele que diz "tudo vai ficar bem, tenha fé" quando todos estão em desespero e achando que é o fim.
Mas o que nos resta além de continuar tentando? A gente chora, desabafa e segue em frente porque enquanto estamos vivos aqui há uma esperança.

5 (das inúmeras)coisas que aprendi com a minha afilhada

sábado, 1 de agosto de 2020

Hoje a minha linda afilhada leonina faz 15 anos.
Ainda lembro do dia que eu fui visitar ela no hospital logo depois de ter nascido. Parecia uma balinha de goma toda vestidinha de rosa. Ali eu me encantei.
Eu achava que não tinha muito tato pra crianças meninas devo dizer até porque eu tinha um afilhado menino, cresci com um primo que é o irmão que não tive e achava assim que eu era meio "bruta" para as coisas, mas quando a nossa princesinha nasceu eu descobri que não era bem assim.
Eu que não gostava de rosa via todos os dias ela lá parecendo como uma bonequinha, a nossa bonequinha tão amada.
Anninha é o que uma leonina vem ao mundo pra ser: puro brilho. Mas ela faz com que aqueles que a cercam acreditem que possam brilhar também.
Não é um papo apenas de madrinha babona o que eu assumo que sou mesmo, mas é porque nesses 15 anos ela me ensinou tanta mas tanta coisa que toda vez que eu a vejo eu me sinto abençoada de ter ela na minha vida.
Eu lembro que uma vez eu estava muito deprimida, mas muito mesmo e passava dias chorando. Ela devia ter uns 9-10 anos na época e como se fosse hoje eu choro e lembro dela dizendo pra mãe que iria trazer a mochila cheia de brinquedos para brincar comigo porque assim eu não iria ficar triste.
Das tantas coisas que ela me ensinou a mais linda de todas foi a de me ajudar a ser uma pessoa melhor pra mim mesma.
Dou risada quando perguntam pra ela "você gosta de você mesma" e a resposta dela é sempre "é óbvio!", mas é a pura verdade. Ela não é convencida, o que ela é é consciente de que gostar de si mesma é fundamental pra todos inclusive pra que a gente possa gostar dos outros também.
É como a minha mãe, outra leonina pura, dizia: "se você não se amar, então quem vai?".
E das muitas coisas que ela me ensinou, separei 5:


Gostar mais de mim mesma

A gostar mais de mim e a me olhar com mais carinho tanto para o lado externo quando para o interno. É tentador a gente se colocar pra baixo procurando defeitos, e ela me ajudou a prestar atenção em minhas qualidades quando me olho no espelho, a focar no que eu gosto e não no que eu não gosto em mim. Ela me inspira todos os dias a me amar cada vez mais e a me tratar bem em primeiro lugar.


Aprender mais coisas novas

A velocidade do mundo desses jovens as vezes me assusta e confesso que eu fico bem perdida nas atualizações tecnológicas haha E ela vai lá com toda sua paciência e amor e me ensina as coisas do "mundo dela". E mesmo quando eu estou meio sem paciência me achando meio burrinha por não conseguir fazer ou aprender algo não tem como desistir porque ela está lá pra não deixar. haha 


Amar cor de rosa

Essa chega a ser engraçada. Eu sempre amei azul e tinha até um rancinho de tudo que era rosa. Eu gosto de ser diferentona desde criança essa é a verdade, mas devo dizer que meu carrinho de bebê foi azul então minha mãe também era diferentona! hahaha Pois bem, quando a Ninha chegou aqui eu me apaixonei pelo rosa de tanto que eu via todos os dias aquela mini Barbie. E o que aconteceu? Hoje em dia ela ama azul e eu amo cor de rosa... vai entender, né?


Aceitar elogios

Ela aceita mesmo. Simples assim. E isso me ensinou a aceitar também. Afinal se a outra pessoa está nos fazendo um elogio é como se fosse um presente que ela está ofertando, pra que desmerecer isso? Já até escrevi aqui no blog mais sobre esse assunto.


Me mimar e me presentear

Eu sempre tive essa coisa de "pra que comprar isso?" quando se tratava de coisas pra mim, mas eu nunca tive isso para os outros. E eu fui aprendendo que eu posso mimar os outros e a mim mesma porque eu mereço presentes tanto quanto as pessoas que eu amo. E hoje se eu quero algo e tenho condições e vai me deixar mais feliz eu compro porque já sei que eu mereço o melhor que puder dar pra mim.

A mensagem que fica pra mim sempre que estou não só com a Ninha mas com todos os meus afilhados, e eu estenderia aqui para todas as crianças sem medo, é que eles tem muito mais pra ensinar do que a gente imagina basta que a gente entenda que eles também são mestres e tudo o que nós temos que fazer é manter o nosso coração sempre aberto para os pequenos grandes mestres.