A velha mania de se cobrar estar sempre bem

quarta-feira, 21 de outubro de 2020



O dia amanheceu chuvoso aqui e muito frio. Pelo menos pra mim que qualquer queda na temperatura já estou colocando todos os cobertores que tenho no guarda-roupa...
Pois bem. 
Eu tinha na minha cabeça e também no meu planner uma listinha de tarefas bem básica para realizar hoje.
Ah não, não eram muitas muito urgentes, todas eram aqueles tipos de tarefas que poderiam esperar.
Eu comecei a notar que eu estava me cobrando estar bem me cobrando estar 100% depois de tudo que eu já passei na última semana: a saga do dente siso. 
Mas não era só isso...
Para a minha surpresa eu acabei descobrindo que eu continuava me cobrando de estar bem, positiva, good vibes e recuperada de tudo que eu passei nesses últimos tempos.
A tal positividade tóxica sabe?
Pois então. Às vezes ela ainda me pega pelo pé sorrateiramente.
Constatei: impossível. Ninguém estaria 100% bem depois de tudo.
E fui começando a me acalmar, respirar fundo e deixar a compaixão chegar e tomar o lugar da cobrança.
Eu estava esquecendo, mais uma vez, que sou humana.
Humanidade... Ah como é difícil aceitar que somos humanos às vezes não é?
Daí decidi fazer o exercício de me tratar como minha melhor amiga.
Perguntei:  
Ok. O que minha melhor amiga me diria em uma hora dessas?
E mergulhei... no papel maravilhoso e compassivo de minha melhor amiga eu comecei analisar tudo o que aconteceu na minha vida pelo nos últimos 12 meses.
Foram tantas mudanças para as quais eu não estava preparada e às quais eu tive que me adaptar do jeito que deu.
Foram perdas gigantes que eu tive e que ainda estão sendo curadas dia após dia.
Então eu vi que eu estava me cobrando mais uma vez de ser uma mulher maravilha da produtividade até mesmo após uma cirurgia pra arrancar um dente bem complicado.
Muitas vezes a gente tem muito isso de querer se recuperar das coisas sem analisar muito e nem absorver o processo. 
Faz falta essa coisa de se abraçar, de ser nosso melhor amigo e simplesmente ir no espelho do banheiro, olhar os nossos olhos no espelho e dizer: 
- Está tudo bem. Olha o quanto você enfrentou. Olha o quanto você sobreviveu. Olha as lutas que você teve. Qualquer pessoa no seu lugar teria todos os motivos para não estar totalmente bem.
E por mais que as vezes a gente queira esquecer, não tem como negar que ainda estamos no meio de uma pandemia sem nem saber quando vamos parar de jogar álcool em nossas compras do supermercado...
É óbvio que nossa saúde mental não está das melhores.
É óbvio que tem dias sim que a gente acorda querendo só ficar na cama.
E nós precisamos nos ver como humanos que tem emoções e que essas emoções oscilam.
Acho que, mais do que nunca a nossa alma pede compaixão e calma com a gente mesmo.
Independentemente de uma lista de afazeres que não está completa ou das nossas expectativas frustradas nós estamos acertando!
Estamos todos seguindo da melhor maneira que podemos e isso basta. Tem que bastar. 
Um dia de cada vez.

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