Por que eu me identifico tanto com o Eremita?

domingo, 25 de outubro de 2020


Muitas foram as vezes em que eu fui chamada de Eremita e digamos que a intenção desse apelido não era nem de longe um elogio. 
Na verdade era tudo por deboche ou crítica pelo fato de eu gostar de ficar em casa e não socializar tanto quanto os outros achavam que eu deveria.
Depois de tanto ouvir, resolvi pesquisar a respeito do que e de quem era esse tal Eremita.
No tarot eu já vi vários representações para essa carta, mas a clássica é um ancião sozinho carregado uma lanterna. Entre os muitos significados destacam-se o isolamento, recolhimento, meditação, autoconhecimento, iluminação, introspecção, solidão... 
E no meio dessas pesquisas, das diversas explicações sobre o lado bom do Eremita, eu comecei a me identificar por essa tal figura que se isola pra ter o real conhecimento cada vez que eu me aprofundava mais. 
Hoje, para mim, a figura do Eremita tem uma forte ligação com o conhecimento que vem de dentro de nós. Bom, pelo menos foi isso o que eu aprendi sendo assim por alguns (longos) anos. haha
Cada vez que eu     procurava alguma resposta, um caminho, uma solução tudo o que eu recebia eram pistas para que eu mesma achasse o caminho.
Muitos de nós fomos educados para ter grandes professores, mestres iluminados (que na verdade são tão humanos quanto nós) donos da verdade que nos dariam respostas prontas. Eu nem preciso dizer o quanto de alienação e de manipulação resultou isso por séculos e séculos.
Nem de longe eu desprezo a ajuda que recebi e recebo de grandes mestres durante a minha jornada, mas o que eu aprendi com eles foi justamente isso: olhar sempre para dentro e ouvir o que eles diziam e questionar sempre se tinha conexão com a minha verdade ou não.
Ninguém vai conseguir nos conhecer mais do que nós mesmos seja lá quem essa pessoa que a gente consulte seja, ou tenha lá quantos cursos, diplomas e anos de experiência essa criatura abençoada tenha. 
Quando descobrimos isso nos libertamos da postura passiva de apenas aprendizes e receptores para assumimos a postura de aprendizes e, também, mestres.
Embora o tal apelido tenha começado com uma espécie de deboche por eu gostar de me isolar um pouco e estudar sobre coisas que essas não estavam nem aí, hoje eu assumo que me vejo mesmo com essa postura de alguém que precisa mesmo se isolar para encontrar as respostas que jamais encontrarei do lado de fora.

Muito eu ouvi sobre a tal luz e iluminação por aí. E estou muito, mas muito longe dela.
Mas uma coisa eu aprendi: quando nós entramos no caminho do autoconhecimento acendemos a tal lanterna para olhar e enxergar dentro de nós já começamos a ver muitas de nossas expectativas caindo. 
Nesse mundo dual nem sempre vamos ver coisas que consideramos bonitas ou descobrir faces nossas que nos agradam. Quanto mais iluminado fica, mais desses sentimentos que negamos porque consideramos "feios" irão aparecer e é aí que moram muitas de nossas curas.
E a cura maior que eu tive foi perceber que eu não precisava ser a grande iluminada 100% equilibrada e zen pra ser amada por Deus hoje, nesse exato momento.
E, bem longe de me achar parecida com a imagem clássica do ancião iluminado, prefiro me ver como na imagem acima da garotinha que anda por caminhos desconhecidos, buscando aprender cada vez mais.

Postar um comentário

Me diz o que você achou desse post? :D